Infecção de Coluna
O que é?
A discite é a inflamação que ocorre no espaço discal, sendo uma lesão inflamatória do disco intervertebral que afeta principalmente crianças, embora também possa ocorrer em adultos. A infecção geralmente se inicia em um platô vertebral e, posteriormente, atinge o disco.
Em crianças, o disco intervertebral ainda tem um suprimento sanguíneo próprio, o que facilita a chegada de bactérias até essa região — o que explica por que a discite é mais comum nessa faixa etária.
Em adultos, esse suprimento sanguíneo é bem menor, e a infecção do disco costuma vir acompanhada de infecção da vértebra vizinha, quadro chamado de espondilodiscite.
Quais são os principais sintomas?
Sintomas iniciais
O sintoma principal é dor intensa nas costas, de início súbito. Crianças frequentemente conseguem caminhar apesar da dor, mantendo a coluna esticada e recusando-se a flexioná-la.
Raramente apresentam febre ou alterações significativas nos glóbulos brancos.
Em crianças pequenas, que ainda não conseguem descrever bem a dor, o quadro pode se manifestar como irritabilidade, recusa em sentar ou engatinhar, e preferência por ficar deitadas. Esses sinais indiretos costumam ser o que leva os pais a procurar avaliação médica.
Sintomas persistentes
Quando não tratada, a dor pode se agravar e se tornar mais constante, podendo vir acompanhada de mal-estar geral.
Em crianças, a recusa persistente a se movimentar ou a andar merece atenção.
Principais causas
A discite costuma estar relacionada à disseminação de bactérias pela corrente sanguínea até o espaço discal, sendo o estafilococo áureo um dos agentes mais associados ao quadro.
Em alguns casos, não é identificada uma causa infecciosa evidente, e o processo é considerado inflamatório.
Infecções recentes em outras partes do corpo, como infecções urinárias ou de pele, podem, em alguns casos, ser a origem das bactérias que chegam até o disco intervertebral pela corrente sanguínea.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico utiliza radiografias, ressonância magnética, considerada o exame mais útil, e, eventualmente, cintilografia óssea (varredura óssea).
Nas fases mais iniciais, a radiografia simples pode não mostrar alterações evidentes, o que reforça a importância da ressonância magnética para confirmar o diagnóstico precocemente.
Exames de sangue, como hemograma e marcadores de inflamação, também costumam ser solicitados para ajudar a acompanhar a atividade da infecção, embora, como mencionado, esses valores possam estar pouco alterados em crianças.
A ressonância magnética é o exame que melhor mostra a extensão do comprometimento do disco e das estruturas vizinhas.
O acompanhamento por imagem também costuma ser repetido ao longo do tratamento, para confirmar que a infecção está respondendo bem às medidas adotadas.
Quais são os tratamentos?
Tratamento clínico
O tratamento envolve imobilização com órteses. Alguns médicos prescrevem antibióticos, particularmente para combater a bactéria estafilococo áureo.
A biópsia geralmente não é necessária em crianças, mas pode ser indicada em adolescentes e adultos.
Em adolescentes e adultos, a biópsia costuma ser mais considerada porque, nessa faixa etária, é maior a chance de outros agentes infecciosos estarem envolvidos, o que pode exigir um antibiótico mais direcionado.
A imobilização tem como objetivo reduzir a dor e proteger a coluna enquanto o processo inflamatório se resolve.
Quando há indicação de antibiótico, o tempo de tratamento costuma ser definido conforme a evolução clínica e, quando disponível, o resultado da biópsia ou de exames de sangue.
Tratamento cirúrgico, quando aplicável
A cirurgia é raramente necessária, sendo considerada apenas em casos de abscesso, instabilidade da coluna ou quando não há resposta ao tratamento clínico.
Quando indicada, o procedimento geralmente tem como objetivo drenar a coleção infecciosa e, se necessário, estabilizar a coluna afetada.
Quando procurar um médico?
Dor nas costas de início súbito, principalmente em crianças que recusam se movimentar, caminham de forma rígida ou apresentam febre, deve ser avaliada por um médico.
Em adultos, dor persistente na coluna associada a febre ou mal-estar geral também justifica avaliação, principalmente em pessoas com fatores de risco, como diabetes ou uso de medicações que reduzem a imunidade.
Perguntas frequentes
Essa doença tem cura?
A maioria dos casos responde bem ao tratamento conservador, mas a evolução deve ser acompanhada pelo médico responsável, com exames de controle ao longo do tratamento para confirmar a melhora do quadro.
Quando o caso é preocupante?
Febre persistente, piora progressiva da dor ou sinais neurológicos são indicativos de que o caso precisa de atenção médica imediata.
Recusa persistente a se movimentar em crianças, mesmo sem febre, também deve ser investigada com atenção.
Como prevenir?
Não há uma forma específica de prevenção; o diagnóstico precoce, diante dos primeiros sintomas, é o que mais contribui para uma boa evolução.
Cuidados gerais com a saúde, como manter as vacinas em dia e tratar prontamente outras infecções no corpo, podem ajudar a reduzir o risco de disseminação de bactérias pela corrente sanguínea, especialmente em crianças pequenas.
