Bruxismo e Dor na Coluna Vertebral: A Conexão que Poucos Conhecem | Dr. Jorge Frischenbruder
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Bruxismo e Dor na Coluna: A Conexão que Poucos Conhecem

Você range os dentes à noite e acorda com o pescoço duro, dor nos ombros ou dor de cabeça? Pode não ser coincidência. Entenda como o bruxismo afeta a coluna vertebral — e por que o tratamento precisa ir além do dentista.

Por Dr. Jorge Frischenbruder · Ortopedista · Ênfase em Coluna Vertebral e Articulações · CRM-RS 16422
BRUXISMO E A COLUNA VERTEBRAL Sistema crânio-cérvico-mandibular — como a tensão da mandíbula chega à coluna 😬 BRUXISMO MANDÍBULA / ATM COLUNA CERVICAL COLUNA TORÁCICA COLUNA LOMBAR 💥 MÚSCULOS DA MASTIGAÇÃO Masseter · Temporal · Pterigóideos Hiperatividade noturna 🔗 MÚSCULOS DO PESCOÇO Esternocleidomastóideo · Trapézio Tensão propagada da mandíbula 🌡️ SINAIS NA COLUNA Rigidez cervical matinal Cefaleia tensional · Dor nos ombros 📐 ALTERAÇÃO POSTURAL Anteriorização da cabeça Sobrecarga em C5-C6-C7 🦴 OSSO HIÓIDE Pivô entre mandíbula e pescoço 😰 GATILHO: ESTRESSE Amplifica o bruxismo e a tensão muscular © Dr. Jorge Frischenbruder · CRM-RS 16422 · jorgecoluna.com.br
O sistema crânio-cérvico-mandibular conecta a mandíbula, os músculos da mastigação e a coluna vertebral em uma cadeia funcional integrada. A hiperatividade muscular do bruxismo propaga tensão por essa cadeia — da mandíbula ao pescoço, dos ombros à coluna torácica e, em casos crônicos, à região lombar.

1. O que é bruxismo

O bruxismo é um distúrbio do sistema nervoso central caracterizado por movimentos involuntários da mandíbula — principalmente o ranger e o apertar dos dentes — que ocorrem de forma repetitiva e inconsciente, na maioria das vezes durante o sono.

Estima-se que o bruxismo afete entre 8% e 31% da população adulta, com variações significativas conforme a faixa etária e os critérios diagnósticos utilizados. Para 80% dos pacientes, a atividade muscular noturna é imperceptível — a pessoa só descobre que tem bruxismo quando o dentista observa o desgaste dentário ou quando o parceiro relata o ranger audível durante a madrugada.

Existem dois tipos principais:

  • Bruxismo do sono (noturno): ocorre durante o sono, geralmente associado a microdespertares. É o mais comum e o que mais impacta a musculatura cervical, pois a hiperatividade se sustenta por horas seguidas sem controle consciente.
  • Bruxismo em vigília (diurno): ocorre durante o dia, geralmente como resposta ao estresse ou concentração intensa. Predomina o apertamento — sem o ranger característico da versão noturna.
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Multicausal por definição: A literatura científica classifica o bruxismo como uma condição de etiologia multifatorial — estresse e ansiedade, alterações do sono, uso de certos medicamentos, fatores genéticos, oclusão dentária inadequada e alterações neurológicas são todos citados como fatores contribuintes. Nenhuma causa única é suficiente para explicar todos os casos.

2. O sistema crânio-cérvico-mandibular: por que mandíbula e coluna são a mesma coisa

Para entender como o bruxismo afeta a coluna vertebral, é preciso conhecer um conceito fundamental da anatomia funcional: o Sistema Crânio-Cérvico-Mandibular (CCCM).

Esse sistema integra a articulação temporomandibular (ATM), os músculos da mastigação, o osso hióide, a musculatura cervical e a coluna vertebral em uma cadeia biomecânica e neurológica contínua. Não se trata de estruturas separadas que casualmente ficam próximas — elas funcionam em sincronia, influenciando umas às outras o tempo todo.

A chave dessa integração é o osso hióide — um osso em forma de ferradura localizado na base da língua, que não se articula diretamente com nenhum outro osso do esqueleto. Ele fica suspenso por músculos acima (que o conectam à mandíbula e ao crânio) e abaixo (que o conectam à laringe e ao esterno). O hióide funciona como um pivô biomecânico entre a mandíbula e o pescoço — qualquer tensão que vem da mandíbula passa obrigatoriamente por ele antes de chegar à coluna cervical.

A posição correta da cabeça no espaço depende de três planos simultâneos: o plano visual, o plano oclusal transverso e o plano auriconasal — mantidos em equilíbrio através de mecanorreceptores nos primeiros seis segmentos da coluna cervical. Qualquer alteração na mandíbula afeta esse equilíbrio.

“O fisioterapeuta não pode tratar a coluna cervical sem relacioná-la com a ATM — e o dentista precisa entender que uma alteração na mandíbula pode levar a mudanças na postura do pescoço e de todo o corpo. São estruturas integradas, não separadas.”

— Consenso da literatura científica sobre o sistema crânio-cérvico-mandibular

3. Como o bruxismo afeta a coluna vertebral: a cadeia de tensão

O mecanismo pelo qual o bruxismo chega à coluna vertebral segue uma progressão muscular bem documentada:

🦷 Mandíbula Masseter e temporal em hiperatividade — ranger e apertar dos dentes por horas seguidas
🦴 Osso hióide Pivô biomecânico transmite a tensão para a musculatura cervical anterior
🔗 Pescoço SCM, trapézio e suboccipitais sob tensão — rigidez e dor cervical matinal
🦴 Coluna Anteriorização da cabeça, sobrecarga em C5-C7, impacto torácico e lombar

Quando os músculos da mastigação ficam em hiperatividade noturna constante, a tensão se propaga em cascata:

  • O masseter e o temporal — os grandes músculos da mastigação — contraem-se com força muito acima do normal durante o bruxismo. Essa contração sustentada por horas gera microlesões musculares, ponto-gatilho e inflamação local.
  • A tensão se propaga pelo osso hióide para o esternocleidomastóideo (SCM) e para o trapézio superior — os principais músculos do pescoço. Eles entram em espasmo compensatório.
  • O espasmo do trapézio e do SCM altera o posicionamento da cabeça, gerando anteriorização — a cabeça avança para frente do eixo ideal da coluna cervical. Para cada centímetro de anteriorização, o peso efetivo da cabeça sobre a coluna cervical aumenta em aproximadamente 5 a 6 kg.
  • Essa sobrecarga cervical crônica sobrecarrega as facetas articulares de C5, C6 e C7 — nível onde se concentram a maioria das hérnias e artrose cervical.
  • Em casos de maior duração, a alteração postural se propaga para a coluna torácica (hipercifose compensatória) e eventualmente para a coluna lombar (hiperlordose compensatória).
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O ciclo que se perpetua: A dor cervical causada pelo bruxismo perturba o sono, que por sua vez piora o bruxismo — e o bruxismo piora amplia a tensão muscular e a dor. Esse ciclo vicioso é um dos principais motivos pelos quais o tratamento isolado (apenas placa oclusal, sem abordar a coluna; ou apenas fisioterapia cervical, sem tratar a mandíbula) frequentemente resulta em melhora parcial e temporária.

4. O que a ciência confirma

A relação entre bruxismo e comprometimento cervical passou de observação clínica para evidência científica publicada. Os estudos mais relevantes incluem:

Estudo prospectivo de coorte publicado em 2024 no Bulletin of Faculty of Physical Therapy (Abd Elmesseh et al.) avaliou 67 pacientes com bruxismo e concluiu que a dor na articulação temporomandibular está correlacionada com comprometimento da propriocepção cervical — ou seja, pacientes com bruxismo apresentam alteração mensurável na função do pescoço, não apenas dor local na mandíbula. A correlação foi estatisticamente significativa para flexão cervical e trapézio.

Revisão publicada na Revista Portuguesa de Estomatologia, Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial demonstrou que a hiperatividade muscular nos músculos da mastigação provoca alterações funcionais e estruturais da coluna cervical, com repercussões na musculatura cervical que culminam em alterações posturais, principalmente de cabeça e pescoço.

Estudo descritivo retrospectivo realizado com 305 pacientes e publicado em 2025 na Ciencia Latina avaliou a prevalência de bruxismo em pacientes com disfunções cervicais e torácicas. O resultado foi contundente: 100% dos sujeitos com bruxismo apresentaram alguma disfunção cervicotorácica, com maior incidência na junção cervicotorácica (T1 em 29,5% e C7 em 19,67%).

Investigação publicada em 2024 e referenciada pela Tua Saúde confirmou correlação entre bruxismo, disfunção da ATM e comprometimento cervical — reforçando que a queixa não se limita aos dentes e à mandíbula.

5. Sintomas que conectam bruxismo e coluna vertebral

O perfil clínico que sugere relação entre bruxismo e comprometimento cervical é bastante característico. Os sintomas costumam ser mais intensos pela manhã — justamente porque a hiperatividade muscular noturna acumulou horas de tensão sem interrupção:

🌅
Rigidez cervical ao acordarPescoço “duro” pela manhã que melhora progressivamente ao longo do dia com o movimento.
🤕
Cefaleia tensional matinalDor de cabeça ao acordar, especialmente nas têmporas, na base do crânio ou na nuca — irradiada dos músculos da mastigação e do trapézio.
😬
Mandíbula tensa ou doloridaDificuldade de abrir bem a boca pela manhã, dor ao mastigar ou sensação de cansaço muscular na face.
💆
Dor nos ombrosTensão e dor no trapézio superior e nos ombros que não melhora com alongamentos simples — porque a origem é a tensão propagada da mandíbula.
🔊
Zumbido e dor no ouvidoCausados pela tensão na ATM e nos músculos pterigóideos, que ficam próximos ao conduto auditivo externo.
😴
Sono não reparadorAcorda cansado apesar de ter dormido horas suficientes — porque o sono foi fragmentado pelos microdespertares associados ao bruxismo.
📐
Cabeça projetada para frentePostura de anteriorização da cabeça — facilmente visível de perfil — que é tanto causa quanto consequência da tensão cervical crônica.
🔋
Fadiga muscular facialSensação de “cansaço” nos músculos da face, especialmente ao final do dia ou em situações de estresse — sinal de que os músculos não descansaram adequadamente à noite.
💡

Padrão diagnóstico sugestivo: Quando um paciente chega ao consultório com dor cervical crônica que não responde bem ao tratamento convencional, que piora nos períodos de maior estresse e que é acompanhada de cefaleia matinal e tensão mandibular, o bruxismo sempre entra na lista de suspeitos. A investigação da ATM e da função mandibular faz parte da avaliação completa da coluna cervical.

6. Fatores que agravam o bruxismo — e a dor na coluna

😰 Estresse e ansiedade O principal gatilho do bruxismo. Em 100% dos casos, o agravamento do bruxismo está associado a períodos de maior estresse ou ansiedade.
😴 Sono de má qualidade A privação do sono aumenta os marcadores inflamatórios e amplifica a tensão muscular. Bruxismo e distúrbios do sono têm relação bidirecional.
💊 Certos medicamentos Antidepressivos (especialmente ISRSs) e estimulantes do SNC podem intensificar o bruxismo como efeito colateral.
Cafeína e álcool Ambos prejudicam a qualidade do sono profundo e podem aumentar a atividade muscular noturna, intensificando o bruxismo.
🪑 Má postura diurna Trabalhar por horas com a cabeça projetada para frente (postura de “pescoço de tartaruga”) sobrecarrega a musculatura cervical e cria um ambiente mais suscetível à propagação da tensão mandibular.
🧬 Fator genético Bruxismo tem componente hereditário relevante — filhos de pais com bruxismo têm maior probabilidade de desenvolver a condição.
🦠 Eixo intestino-cérebro Disbiose intestinal pode contribuir para o bruxismo via neuroinflamação — alterando sono, dopamina e serotonina, que modulam a atividade muscular mandibular involuntária.
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Eixo intestino-cérebro e bruxismo — mecanismo emergente:

A disbiose intestinal pode contribuir para o bruxismo ou piorá-lo por dois mecanismos simultâneos:

Via nervo vago: sinais inflamatórios do intestino chegam diretamente ao tronco encefálico e perturbam os circuitos neurológicos que modulam a atividade muscular mandibular involuntária durante o sono.

Via sistêmica: citocinas inflamatórias (IL-6, TNF-α) produzidas em resposta à disbiose cruzam a barreira hematoencefálica, desregulando as vias dopaminérgicas e serotoninérgicas do SNC — os mesmos sistemas que controlam o bruxismo. Não por acaso, medicamentos que alteram a dopamina (como antipsicóticos e antidepressivos) são causas conhecidas de bruxismo secundário.

Via serotonina: 90% da serotonina é produzida no intestino. A disbiose reduz essa produção, comprometendo o sono e amplificando a ansiedade — dois dos principais gatilhos do bruxismo.

A evidência direta ainda é emergente — cada elo da cadeia tem suporte científico sólido, mas a cadeia completa ainda aguarda confirmação por ensaios clínicos específicos. É uma inferência forte com mecanismo biologicamente plausível, que integra a abordagem de especialistas que tratam o bruxismo de forma sistêmica.

7. Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico do bruxismo e de seu impacto na coluna exige a colaboração de diferentes especialistas. Do ponto de vista ortopédico e da coluna, a avaliação inclui:

Avaliação clínica ortopédica

Exame da postura global — especialmente a anteriorização da cabeça, o padrão de curvatura cervical e torácica e a presença de pontos-gatilho no trapézio, SCM e suboccipitais. A história clínica busca o padrão típico: dor matinal que melhora ao longo do dia, piora em períodos de estresse, cefaleia associada.

Avaliação odontológica

O dentista identifica os sinais clássicos do bruxismo: desgaste dentário, hipertrofia do masseter (o músculo fica visivelmente maior em pacientes com bruxismo crônico intenso), estalos na ATM, limitação da abertura bucal e sensibilidade dentária.

Polissonografia

Exame do sono que registra a atividade muscular da mandíbula durante a noite — o padrão ouro para diagnóstico definitivo do bruxismo do sono. Também identifica distúrbios associados como apneia, que frequentemente coexiste com o bruxismo.

Termografia médica

No contexto da coluna, a termografia pode identificar assimetrias térmicas na região cervical e do trapézio que refletem inflamação muscular ativa — auxiliando a mapear quais estruturas estão funcionalmente comprometidas e orientar o tratamento específico de cada área.

8. Tratamento: por que precisa ser multidisciplinar

O tratamento do bruxismo com comprometimento cervical é necessariamente multidisciplinar. Tratar apenas um dos componentes — só a mandíbula ou só o pescoço — raramente resolve o problema de forma duradoura, porque as duas estruturas estão funcionalmente integradas.

🦷 Odontologista
  • Confecção da placa oclusal (noturna) — reduz a sobrecarga dentária e muscular durante o sono
  • Ajuste oclusal quando indicado
  • Toxina botulínica no masseter em casos severos — reduz a força de contração muscular
  • Orientações sobre hábitos parafuncionais
🦴 Especialista em Coluna
  • Avaliação e tratamento do comprometimento cervical e postural
  • Identificação de hérnias ou artrose cervical associadas
  • Bloqueios cervicais quando indicados
  • Coordenação do plano multidisciplinar
🏃 Fisioterapeuta
  • Liberação de pontos-gatilho no masseter, trapézio e suboccipitais
  • Reeducação postural e correção da anteriorização da cabeça
  • Exercícios de propriocepção cervical
  • Técnicas de relaxamento muscular
🧠 Psicólogo / Psiquiatra
  • Manejo do estresse e da ansiedade — principais gatilhos do bruxismo
  • TCC (terapia cognitivo-comportamental) com boa evidência para bruxismo em vigília
  • Tratamento de distúrbios do sono associados
  • Técnicas de mindfulness e relaxamento
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A ordem importa: Em geral, o tratamento começa pela placa oclusal para reduzir a sobrecarga noturna. Paralelamente, inicia-se a fisioterapia cervical para desfazer os padrões de tensão muscular já instalados. O manejo do estresse e da ansiedade deve ser abordado desde o início — sem ele, qualquer melhora tende a ser temporária.

9. Perguntas Frequentes sobre Bruxismo e Coluna

O bruxismo pode causar dor na coluna?
Sim. O bruxismo gera hiperatividade muscular na mandíbula que se propaga pela cadeia muscular do sistema crânio-cérvico-mandibular até a coluna cervical, torácica e, em casos crônicos, lombar. Estudo de 2025 com 305 pacientes mostrou que 100% dos pacientes com bruxismo apresentaram alguma disfunção cervical ou torácica associada.
Qual a relação entre bruxismo e dor no pescoço?
Os músculos da mastigação estão diretamente conectados ao pescoço pelo osso hióide e pela continuidade da cadeia muscular. Quando o bruxismo mantém esses músculos em hiperatividade noturna, a tensão se propaga para o esternocleidomastóideo, trapézio e suboccipitais, gerando dor cervical e rigidez matinal. Estudo publicado em 2024 confirmou correlação estatisticamente significativa entre bruxismo e comprometimento da propriocepção cervical.
Como saber se minha dor no pescoço é causada pelo bruxismo?
Os sinais mais sugestivos são: dor ou rigidez no pescoço e ombros ao acordar que melhora ao longo do dia; cefaleia matinal nas têmporas ou na base do crânio; mandíbula tensa ou dolorida pela manhã; ranger dos dentes à noite confirmado pelo parceiro; dor que piora em períodos de estresse. A avaliação combinada com odontologista e especialista em coluna é essencial para confirmar.
Bruxismo causa artrose na coluna?
Não diretamente. Mas a tensão muscular crônica e a alteração postural que o bruxismo provoca na coluna cervical podem acelerar o desgaste das articulações cervicais ao longo do tempo — via sobrecarga mecânica das facetas articulares de C5-C6-C7. A relação é indireta, mas relevante em casos de bruxismo crônico não tratado.
Qual profissional trata o bruxismo com dor na coluna?
O tratamento é multidisciplinar: odontologista (placa oclusal, toxina botulínica no masseter), especialista em coluna (comprometimento cervical e postural), fisioterapeuta (pontos-gatilho, reeducação postural, propriocepção cervical) e psicólogo ou psiquiatra (manejo do estresse e ansiedade). Tratar apenas um dos componentes raramente resolve o problema de forma duradoura.
A placa oclusal resolve a dor no pescoço?
A placa oclusal é fundamental para proteger os dentes e reduzir a sobrecarga muscular noturna. Porém, ela sozinha raramente resolve a dor cervical já instalada — porque a tensão muscular do pescoço e as alterações posturais já existentes precisam de tratamento específico (fisioterapia, reeducação postural). A placa trata a origem; a fisioterapia trata as consequências já instaladas.

Conclusão: a mandíbula e a coluna conversam — e precisam ser tratadas juntas

O bruxismo não é um problema exclusivamente dentário. É uma condição que, quando crônica, mobiliza toda a cadeia muscular do sistema crânio-cérvico-mandibular — e cujas consequências se manifestam na coluna vertebral de formas que muitas vezes não são associadas à sua origem real.

O paciente que acorda com pescoço duro, dor nos ombros e cefaleia — e que há meses faz fisioterapia sem resultado consistente — pode estar tratando o sintoma sem saber a causa. Da mesma forma, quem usa a placa oclusal mas ainda tem dor cervical persistente pode não estar abordando o comprometimento musculoesquelético já instalado no pescoço.

A mensagem central é: mandíbula e coluna fazem parte do mesmo sistema. O diagnóstico preciso e o tratamento eficaz precisam considerar os dois — preferencialmente em equipe multidisciplinar.

📚 Referências Científicas

  1. Abd Elmesseh OI, El-Sayyad MM, Karkousha RN. Correlation between bruxism and cervical function. Bulletin of Faculty of Physical Therapy. 2024;29(1):1–8. DOI: 10.1186/s43161-024-00205-7
  2. Castro V, Clemente M, Ramos A, Mendes JG, Pinho JC. A influência do bruxismo na posição postural da cabeça [The influence of bruxism in postural head position]. Revista Portuguesa de Estomatologia, Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial. 2013;54(3):137–142. DOI: 10.1016/j.rpemd.2013.07.001
  3. Abril Mera TM, Baidal Icaza PM. Prevalencia de Bruxismo en Pacientes con Disfunciones Cervicales y Dorsales [Prevalence of Bruxism in Patients with Cervical and Dorsal Dysfunctions]. Ciencia Latina Revista Científica Multidisciplinar. 2025;9(4):6345–6356.
  4. Cesar GM, Tosato JP, Biasotto-Gonzalez DA. Correlation between occlusion and cervical posture in patients with bruxism. Parkell Online Learning Center / CDE World. 2009.

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O Dr. Jorge Frischenbruder avalia o comprometimento cervical e postural relacionado ao bruxismo, com termografia médica quando indicada e coordenação do plano multidisciplinar. Atende em Porto Alegre e Lajeado.

Dr. Jorge Frischenbruder — Ortopedista CRM-RS 16422 — Porto Alegre e Lajeado
Dr. Jorge Frischenbruder
Ortopedista com Ênfase em Coluna Vertebral e Articulações · CRM-RS 16422
Graduado em Medicina pela UFRGS, com especialização em Ortopedia e Traumatologia, Medicina Desportiva e Cirurgia Endoscópica da Coluna Vertebral. Formação complementar nos EUA e Alemanha. Membro de 7 sociedades médicas. Certificado em Termografia Médica pela USP/São Paulo. Mais de 25 anos dedicados ao tratamento da coluna vertebral e articulações em Porto Alegre e Lajeado.
Dr. Jorge Frischenbruder · CRM-RS 16422 · Porto Alegre e Lajeado · 📞 (51) 99269-0301 · jorgecoluna.com.br
Este artigo tem finalidade educativa e informativa. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico individualizado.
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